Em resumo
- Num roupeiro embutido por medida há três decisões que convém tomar antes da obra: o tipo de porta, a organização do interior e o acabamento.
- As portas de batente abrem o roupeiro todo de uma vez mas precisam de espaço livre à frente; as de correr poupam esse espaço mas só mostram metade de cada vez.
- O interior desenha-se a partir do que vai guardar: roupa comprida, roupa curta, dobrada, calças e calçado pedem alturas diferentes.
- O acabamento escolhe-se pelo uso: melamina, fórmica e termolaminado resistem de maneira diferente ao risco, à humidade e ao desgaste das portas.
Um roupeiro embutido por medida vive muitos anos com as decisões que se tomam antes da obra. Mudar o tipo de porta ou a disposição do interior depois de montado obriga, quase sempre, a refazer peças. Aqui fica o que decidir, e por que ordem, para chegar à medição com as ideias arrumadas.
O que decidir num roupeiro embutido antes da medição
Um roupeiro embutido ocupa um vão inteiro, de parede a parede e do chão ao teto. É isso que o torna útil: não sobra espaço em cima a juntar pó, nem uma folga de lado onde cai uma meia. Também é isso que obriga a pensar antes. O móvel fica preso às medidas daquele vão, e o vão raramente é perfeito.
Antes da visita, vale a pena ter resposta para quatro perguntas:
- O que vai guardar. Roupa comprida, fatos, camisas, malhas dobradas, calçado, roupa de cama, malas. A lista decide o interior.
- Quanto espaço há à frente. Uma porta de batente precisa de rodar. Num quarto pequeno ou num corredor, isso pode decidir tudo.
- Quem o usa. Um roupeiro para duas pessoas pede zonas separadas. Um para uma criança pede varões mais baixos, que se possam subir mais tarde.
- O que ainda vai mudar no quarto. Pavimento novo, pintura, tomadas ou um ponto de luz no interior do roupeiro. Tudo o que mexe no vão deve vir antes da medição.
Nos nossos roupeiros por medida, o ponto de partida é a altura e a largura que o espaço tem, e o interior desenha-se a partir do que precisa de guardar. Levar esta lista à visita poupa tempo a si e a nós.
Portas de correr ou de batente
É a primeira escolha e a que mais pesa no dia a dia. As duas funcionam bem. O que muda é o espaço que pedem e a forma como se usa o roupeiro.
As portas de batente abrem para fora, sobre dobradiças. Abre-se uma porta e vê-se tudo o que está atrás dela, de cima a baixo. Podem levar gavetas e acessórios em toda a largura, porque nada corre à frente. Em troca, precisam de espaço livre para rodar. Com portas de 50 cm, por exemplo, conte com uma faixa de pelo menos essa largura sem cama, cómoda ou outra porta no caminho.
As portas de correr deslizam num calho, umas à frente das outras. Não invadem o quarto, o que as torna a escolha natural para corredores, quartos estreitos ou roupeiros de frente para a cama. Têm dois custos. Só se vê parte do interior de cada vez, porque uma porta tapa sempre outra. E o calho e a sobreposição das portas ocupam alguns centímetros de profundidade.

| Critério | Portas de batente | Portas de correr |
|---|---|---|
| Espaço à frente | Precisam de espaço para rodar | Não invadem o quarto |
| O que se vê ao abrir | Toda a zona atrás da porta | Parte do interior de cada vez |
| Profundidade interior | Aproveitada por inteiro | Perde alguns centímetros com o calho |
| Gavetas | Em qualquer ponto | Recuadas, ou na zona que abre toda |
| Faz sentido quando | O quarto tem espaço livre à frente | O espaço à frente é curto |
Há ainda a questão dos puxadores. Numa frente lisa, um puxador de gola, que é um rebaixo na própria porta, mantém a superfície limpa e não prende na roupa ao passar. Um puxador exterior é mais fácil de agarrar. É uma escolha de gosto, mas convém fazê-la junto com a porta, porque a gola altera a forma como a porta é cortada.
O interior do roupeiro embutido, a partir do que vai guardar
O interior é onde um roupeiro por medida se distingue de um de catálogo. Em vez de prateleiras a alturas fixas, cada zona é desenhada para uma coisa. Os elementos com que trabalhamos são varões, gavetas, prateleiras e calceiros.
Algumas medidas ajudam a pensar, e são referências gerais, não regras:
- Roupa comprida (vestidos, casacos compridos) pede um varão com bastante altura livre por baixo, muitas vezes perto de 1,50 m.
- Roupa curta (camisas, casacos, calças dobradas no cabide) cabe em cerca de 1 m. Dá para ter dois varões sobrepostos na mesma coluna.
- Calças penduradas num calceiro deixam de vincar e ocupam menos do que num cabide.
- Malhas e roupa dobrada ficam melhor em prateleiras ou gavetas pouco altas, onde as pilhas não tombam.
- Roupa de cama e malas, que se usam pouco, vão para a zona mais alta, junto ao teto.
A pergunta útil é esta: quantos cabides tem hoje, e quanta roupa guarda dobrada? Se a maior parte está no cabide, o roupeiro pede mais varão e menos prateleira. Muitos roupeiros acabam com prateleiras a mais porque parecem arrumadas no desenho.

Duas notas práticas. As gavetas perto do chão obrigam a baixar, por isso ficam melhor à altura da cintura, se o espaço deixar. E o topo de um roupeiro que vai até ao teto só é útil com uma escada por perto; guarde lá o que usa uma ou duas vezes por ano.
Acabamentos: melamina, fórmica ou termolaminado
O acabamento decide o aspeto do roupeiro e a forma como envelhece. Os que trabalhamos são o Linho Cancun, a melamina, a fórmica e o termolaminado. Em termos gerais, cada um comporta-se assim:
- Melamina. Uma folha decorativa colada ao painel. Resiste bem ao uso normal e tem muitos padrões, lisos e imitação de madeira. É uma boa opção para interiores e para frentes que não levam muito uso.
- Fórmica. Um laminado mais espesso e mais duro. Aguenta melhor o risco e o choque, o que conta nas portas que se abrem várias vezes por dia e nos roupeiros de quartos de crianças.
- Termolaminado. Uma película moldada a quente sobre o painel, que envolve os cantos. Permite frentes com relevo ou cantos arredondados sem orla à vista. Não gosta de calor direto, por isso convém longe de radiadores.
- Linho Cancun. Um padrão com efeito de tecido, para quem quer uma frente com textura em vez de lisa.
É comum usar um acabamento no interior e outro nas portas. O interior raramente se vê e pode ser mais simples. As portas são o que fica à vista no quarto e o que mais se toca.
Se está indeciso entre dois, peça para ver as amostras à luz do seu quarto. Um branco que parece puro numa amostra pode ficar amarelado junto a uma janela virada a poente.
A ordem certa para não mudar nada depois
O roupeiro é das últimas peças a entrar no quarto, mas das primeiras a decidir. Uma sequência que costuma funcionar:
- Decidir o que muda no quarto. Pavimento, pintura, tomadas, ponto de luz no roupeiro. Se houver cablagem a passar pela parede do vão, é agora.
- Fazer a lista do que vai guardar e escolher portas de correr ou de batente.
- Medir o vão com as paredes e o pavimento no estado final, ou tão perto quanto possível.
- Aprovar o desenho do interior antes de se cortar qualquer peça.
- Escolher o acabamento com as amostras à frente.
Nem sempre é preciso um roupeiro por medida. Se o quarto tem uma parede direita e livre, sem vão definido, e as medidas batem certo com um roupeiro de catálogo, esse pode chegar. O embutido compensa quando há um nicho, um teto alto, uma parede torta ou um canto que um móvel solto deixaria vazio.
O orçamento é gratuito. Se chegar à visita com as portas escolhidas e a lista do que vai guardar, a conversa passa logo para o que interessa: como o seu vão pode ser aproveitado até ao último centímetro.
Perguntas frequentes
Roupeiro de correr ou de batente: qual ocupa menos espaço?
O de correr, porque as portas deslizam dentro da largura do roupeiro e não invadem o quarto. Em contrapartida, o calho e a sobreposição das portas roubam alguns centímetros à profundidade interior. Num corredor ou num quarto estreito, costuma ser a escolha mais prática.
Que profundidade deve ter um roupeiro embutido?
Para pendurar cabides de frente, conta-se normalmente com cerca de 60 cm de profundidade total, e um pouco mais com portas de correr. Com menos fundo, a roupa pode ficar pendurada em varões extensíveis ou de frente, mas perde-se capacidade. A medida certa sai da medição do vão.
Posso ter gavetas atrás de portas de correr?
Pode, desde que as gavetas fiquem recuadas o suficiente para não baterem nas portas, ou que fiquem numa zona que se abre por inteiro. É um pormenor que se resolve no desenho, e é uma das razões para decidir o interior antes de encomendar.
O roupeiro embutido faz-se antes ou depois de pintar o quarto?
Em geral mede-se com as paredes e o pavimento já no estado final, ou quase, porque são eles que definem o vão. Se o quarto ainda vai levar obra, diga-o na visita, para a medição ser feita no momento certo.
Quanto custa um roupeiro embutido por medida?
Depende da largura e da altura do vão, do tipo de portas, do acabamento e do que leva por dentro. Por isso o valor só se fecha depois de ver o espaço. O orçamento é gratuito.



